segunda-feira, 7 de março de 2016

Ouvir histórias pode ser a brincadeira mais divertida!


Como o ser humano aprende a compreender uma narrativa, a ponto de se tornar um dia um contador de histórias? Essa pergunta sempre rondou os meus botões. 

Pois tive a resposta quando li o primeiro livro de histórias para meus netinhos gêmeos, Rufo e Flora. Com pouco mais de um aninho, eles não param quietos um segundo.  O mundo, para eles, é um parque de brinquedos, eles experimentam tudo. Sobem em móveis, derramam coisas, apertam botões, metem o dedo onde não devem.  Cúmplices nas brincadeiras, um morre de rir quando o outro faz alguma travessura. 

Sem esperança de colocá-los quietos, sentei-me com eles no sofá e comecei a passar as páginas do livro. Eu não tinha como ler a história, pois eles não compreenderiam. Mal balbuciavam as primeiras palavrinhas. Comecei, então a criar uma outra narrativa, diferente da que estava no livro. Eu mostrava as imagens retratadas e inventava sons, caretas, risos e gestos, para contar eventos muito mais simples: o macaco corre atrás da onça, o passarinho aparece e canta, o sapo pula...
 De repente, meus netinhos endiabrados pararam toda a algazarra, acompanhando a narrativa maluca com olhinhos ávidos, em silêncio. Quando acabou toda a minha invenção,  fiquei satisfeita. Enfim! Tinha descoberto uma forma de mantê-los interessados - e quietos - por alguns momentos. 

Cansada,  fechei o livro, já pensando qual outra brincadeira eu iria bolar para mantê-los felizes. Eles não deixaram. Abriram o livrinho no meu colo, voltando à primeira página. "Mais, vovó, mais!" Só então entendi: eu tinha descoberto um brinquedo que eles tinham amado mais do que todos e o que fazer agora? Tinha que recontar, ao infinito, a mesma história, em fragmentos, da qual eu mesma já não me lembrava. Toca a inventar outra, vovó, e outra, e outra, e outra. 
   
Por Guiomar de Grammont

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