Síndrome
de Down. Ser diferente é normal
O amor não
conta cromossomo e nem nada deveria contar (excluem-se geneticistas e
pesquisadores). Faça um exercício: olhe para as pessoas nas ruas. Note o quão
diferente elas são: loiras, negras, altas, baixas, gordas, magras. Continue. Achará
diferenças no modo de andar, de olhar, de se portar: não importa onde você
esteja. Funcionam assim, as características apresentadas, por um indivíduo, que
o torna único, são o que a ciência chama de fenótipo. Esse é causado pela
somatória do genótipo (constituição cromossômica de cada individuo) a
alterações de cunho temporal e ambiental. Acontece com todos os seres vivos.
Em alguns
indivíduos, a condição cromossômica resulta em síndromes, como é o caso da
Síndrome de Down. Por alguma razão, ainda não totalmente esclarecida, as
pessoas, com a também chamada trissomia 21, nascem com um cromossomo a mais.
Suas características fenotípicas visíveis são, entre tantas outras, olhos amendoados,
uma única prega palmar e protrusão da língua.
Eles são
comumente reconhecidos como extremamente carinhosos, mas também podem ser
agressivos, agitados e pirracentos, como qualquer um. Eles podem ter
dificuldade na linguagem, mas muita gente também tem. Podem apresentar
problemas clínicos peculiares e, provavelmente, terão algum
grau de deficiência intelectual.
Há mais de um
século foram escritos os primeiros textos sobre o tema. O médico inglês John
Langdon Down, que dá nome à síndrome, descreveu, em 1866, as características de
uma síndrome, a qual chamara, na época, de mongolismo (termo considerado atualmente
como pejorativo). Pouco tempo depois, o médico francês Jerome Lejéune
identificou a alteração em um dos cromossomos.
Os estudos
deram inicio a um processo de desmistificação da síndrome, muito embora ainda
exista a desinformação transformada em discriminação, preconceito e isolamento
social. Entretanto, atentando-se à época anterior ao entendimento da condição
genética ou até mesmo a informação mais acessível, os ganhos sociais foram
significativos. Sabe-se que pessoas SD chegaram, inclusive, a serem internadas
em manicômios.
Atualmente, a
luta é pela inclusão social. A ideia é de que os espaços em escolas regulares,
empresas, convívios sociais estejam abertos a incluí-los. E que possam ser
analisados pelos seus potenciais e pelo que podem desenvolver.
Os estímulos
começam cada vez mais cedo. Hoje, a síndrome pode ser descoberta ainda na
gestação, entre a 11ª e 14ª semanas, através de um exame de rastreio, o One
Stop Clinic for Assessment of Risk ( O.S.C.A.R). E o acompanhamento médico
inicia para diagnostico de possíveis doenças associadas: ortopedistas,
cardiologistas, neuropediatras, oftalmologistas, endocrinologistas, entre
outros. Após o nascimento, os estímulos através da intervenção multidisciplinar
ganha mais força com tratamentos com terapia ocupacional, fonoaudiologia,
psicologia, psicopedagogia e fisioterapia. Obviamente, os profissionais e tipos
de intervenções são escolhidos em dependência a cada caso.
As práticas, o
ambiente, a acolhida e a postura vão determinar o futuro das pessoas com
Síndrome de Down. Porém, volte ao exercício, com você também não foi
assim? Na
verdade, aos poucos, percebe-se que ser diferente é normal e que
"deficiências" são realidade de todos, só que algumas se apresentam mais
visíveis que outras.
Sonha-se
que o futuro bem próximo seja significado de inclusão, de amor, de quebra de discriminações
e de valorização de potenciais. Que as informações iluminem ignorantes e abram
corações de preconceituosos. Que os espaços destinados a todos não existam mais
só para alguns. Que a normalidade possa, finalmente, apresentar-se,
paradoxalmente, diferente. Que o amor prevaleça. Afinal, ele não conta
cromossomo.
Artigo feito por Larissa Domingues (Terapeuta Ocupacional)

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