A NOVA FAMÍLIA
Muito se fala da família e
quase sempre com pessimismo. A família mudou? Sim e muito. Para melhor ou pior?
Eu diria, para uma nova forma.
Havemos e devemos nos render ás mudanças, ficar preso no como deveria ser como era antigamente ou na minha época não traz solução alguma. E quem disse que antes era o correto? A cada resistência ás mudanças mais doentes tornamos nossa família e a nós mesmos. E quem disse que a tal inversão de valores está errado? Novos valores, novas posturas, novos costumes!
Havemos e devemos nos render ás mudanças, ficar preso no como deveria ser como era antigamente ou na minha época não traz solução alguma. E quem disse que antes era o correto? A cada resistência ás mudanças mais doentes tornamos nossa família e a nós mesmos. E quem disse que a tal inversão de valores está errado? Novos valores, novas posturas, novos costumes!
Já não seria a hora de
pararmos de reclamar e aproveitar para mudarmos e enriquecermos um pouco com os
jovens naquilo de novo que eles nos trazem?
Tenho percebido que o medo da mudança é que nos faz abrirmos exceções constantes em busca da permanência do velho em detrimento do novo. A sedução dos pais na conquista dos filhos evitando as frustrações e buscando o amor dos mesmos a qualquer preço, lutando contra o real, penso eu, é que tem acarretado tantos conflitos.
Tenho percebido que o medo da mudança é que nos faz abrirmos exceções constantes em busca da permanência do velho em detrimento do novo. A sedução dos pais na conquista dos filhos evitando as frustrações e buscando o amor dos mesmos a qualquer preço, lutando contra o real, penso eu, é que tem acarretado tantos conflitos.
A nova
família é a da conduta do companheirismo, da participação, da escuta, o pai
maior e dono da verdade já caiu em desuso. As posturas pedagógicas já
envelheceram, as escolas massificantes deram errado, já é hora da pedagogia do
empreendedorismo, da busca pelo potencial, pelo aproveitamento da capacidade
individual. Com realidade digital não podemos esquecer o caminho do gênio Steve
Jobs!!! Após este exemplo temos que nos perguntarmos: O que quer o ser humano?
Para onde caminha sua família e seus valores?
Segundo
Jorge Forbes: "Nesse movimento, a família ganha novo status. Em vez de ser
o lugar onde se ganha coisas: semanadas, carros, presentes os mais diversos, o
que se ganha mesmo, a maior herança é a castração, um dos nomes do real. Em
algum lugar Lacan chegou a dizer que não adianta a ninguém trocar de família,
especialmente de pais, imaginando que terá seus problemas resolvidos. Eles
reapareceriam iguaizinhos se isso fosse possível. Família é daquilo que todo
mundo se queixa – boa definição - e se o fazemos é porque ela não oferece o que
dela, especialmente dela gostaríamos de receber: o nome do desejo. Isso fica
mais evidente em um mundo despadronizado. Insisto, seja ela como for
constituída: por cama, ou proveta; hetero ou homosexual; parceira ou
monoparental, família é a instituição humana que tem a capacidade de fazer com
que nos confrontemos ao real da nossa condição: a falta de uma palavra já
pronta, prêt-à-porter, que nomeie o desejo de cada um.
Se
um dia a psicanálise promoveu o diálogo compreensivo e humanizador, as mudanças
dos tempos nos exigem um esforço a mais no sentido de uma renovação. Pai é quem
tem um sentimento sagrado por um filho. Sagrado vem de sacrifício. Pai é quem
tem um amor radical – sem explicação – e que pode morrer por um filho. É esse
ponto de amor radical que é detectado pelo filho e sobre o qual ele se apoia na
invenção singular de sua vida. Um filho sabe que ali ele conta, que dali ele
pode contar sua vida, dar-se à existência. Não nos surpreendamos que pais e
filhos possam trabalhar melhor juntos agora que no passado. Fora do eixo
imaginário da dominação, pais e filhos convivem bem como nunca nesse amor
radical que possibilita expressões distintas, diversas e divertidas, com a
marca de uma mesma família. Não faltam exemplos: Coppolas, Veríssimos, Holandas,
Douglas, Cravos e, seguramente, muitos mais."
Não há, pois que se discutir ou duvidar que a adaptação ao
real seja a saída para todos estes conflitos globais que acometem as pessoas e
suas famílias. Trocar a crítica pela busca do conhecimento, pela pergunta e
pela compreensão e afeto. Abandonar o discurso arcaico de que o mundo está
perdido é uma nova maneira de se situar e se inserir neste real de mudanças tão
dolorosas para muitos, pois só assim nos tornaremos capazes de ocupar um lugar
que faz a diferença.
Antônio
Roberto

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