segunda-feira, 8 de agosto de 2016

O câncer Infantil


Quando o portador de câncer é uma criança, não há como não falar da família, pois os danos causados pela doença também afetam seus familiares de uma forma muito intensa e estes têm papel fundamental no tratamento e recuperação do paciente.

A descoberta do câncer traz o medo da dor, do sofrimento, da mutilação e a insegurança em relação ao futuro devido ao risco de morte. A criança e seus familiares têm todos estes medos compartilhados e suas vidas e rotinas transformadas com a descoberta da doença. Cada criança e cada família irão reagir de formas diferentes, tudo dependerá, entre outros fatores, não só do estágio em que a doença se encontra como da personalidade de cada um dos sujeitos envolvidos, mas em todos os casos, recursos internos sempre serão utilizados para o melhor enfrentamento de uma situação tão difícil que é ter um câncer ou ter um filho com este diagnóstico.

Além disso, é de suma importância que todos os profissionais de saúde conheçam todos os aspectos que envolvem esta enfermidade (além dos aspectos biológicos) para que a relação com o paciente e sua família seja mais completa e principalmente humana, já que além de um diagnóstico, um tratamento e um prognóstico, também há uma história de vida e uma variedade de sentimentos envolvidos no mesmo contexto.

O que é câncer infantil?
O câncer é uma doença genética caracterizada pela divisão e proliferação desordenada de células que sofreram mutação em seu material genético. Ele ocorre em qualquer parte do organismo e é o acúmulo das células dá origem aos tumores. Os tumores são caracterizados pelo agrupamento de células anormais, que uma vez formadas serão destruídas pelo organismo, permanecerão como tumores benignos ou se transformarão em tumores malignos. Tudo dependerá do sistema imunológico do indivíduo, que será influenciado por diversos fatores de risco.
O câncer infantil corresponde a um grupo de várias doenças que têm em comum a proliferação descontrolada de células anormais e que pode ocorrer em qualquer local do organismo. As neoplasias mais frequentes na infância são as leucemias (glóbulos brancos), tumores do sistema nervoso central e linfomas (sistema linfático). Também acometem crianças o neuroblastoma (tumor de gânglios simpáticos), tumor de Wilms (tumor renal), retinoblastoma (tumor da retina do olho), tumor germinativo (tumor das células que vão dar origem às gônadas), osteossarcoma (tumor ósseo), sarcomas (tumores de partes moles).
Diferentemente do câncer de adulto, o câncer da criança geralmente afeta as células do sistema sanguíneo e os tecidos de sustentação, enquanto que o do adulto afeta as células do epitélio, que recobre os diferentes órgãos (câncer de mama, câncer de pulmão).
No adulto, em muitas situações, o surgimento do câncer está associado claramente aos fatores ambientais como, por exemplo, fumo e câncer de pulmão. Nas malignidades da infância não se observa claramente essa associação. O câncer pode ser causado por fatores externos (substâncias químicas, irradiação e vírus) e internos (hormônios, condições imunológicas e mutações genéticas). Logo, prevenção é um desafio para o futuro. A ênfase atual deve ser dada ao diagnóstico precoce.

Sintomas e diagnóstico
É difícil reconhecer imediatamente o câncer em crianças, uma vez que os sintomas podem sobrepor-se às doenças e ferimentos comuns da infância. As crianças muitas vezes ficam doentes ou têm hematomas que podem mascarar os sinais precoces do câncer. Os pais devem levar seus filhos a consultas clínicas regulares e estarem atentos a qualquer sinal ou sintoma incomum que persista. Estes sintomas mais comuns incluem:

Nódulo ou inchaço incomum.
Palidez inexplicada e perda de energia.
Repetidas contusões.
Dor progressiva.
Andar mancando.
Febre inexplicada ou doença que não passa.
Dores de cabeça frequentes, muitas vezes com vômitos.
Alterações súbitas de visão.
Perda de peso súbita e inexplicada.
A maioria destes sintomas é muito mais propensa de serem causados por outras razões, como uma lesão ou infecção. Ainda assim, se o seu filho tem algum destes sintomas, consulte seu médico para que a causa possa ser detectada e, se necessário, iniciado o tratamento.

Algumas crianças podem ter uma chance maior de desenvolver um tipo específico de câncer em função de alterações em certos genes herdados de um dos pais. Essas crianças devem ter acompanhamento médico regular, incluindo a realização de exames especiais para detectar sinais precoces da doença.


A criança com câncer
A doença é um evento inesperado e indesejável e o câncer, dependendo do tipo e da precocidade do diagnóstico, pode causar sequelas físicas e psíquicas que serão marcantes para a criança. Além disso, ela tem sua rotina completamente alterada e todos os hábitos comuns próprios da infância tornam-se algo distante para ela devido às limitações que a doença e o tratamento impõem.
A reação da criança em relação ao diagnóstico dependerá da reação de seus pais.
Quando uma criança é diagnosticada com câncer, são os pais os primeiros a necessitarem de ajuda, pois visto que a criança desconhece a doença, são eles quem vão transmitir ao filho todos os sentimentos provocados pela descoberta do diagnóstico, e quando a família está bem orientada, os efeitos da doença são menos prejudiciais, pois os pais saberão manejar a situação da melhor maneira possível, para que ela não seja tão sofrida para a criança. Para o autor, a criança somente se depara realmente com a doença, no momento em que ela começa a sofrer os efeitos do tratamento, pois ela passa a ter sua vida limitada, não podendo realizar as atividades que costumava anteriormente.

Ainda que a criança não tenha sido informada do diagnóstico ela também reagirá, não ao diagnóstico, mas a uma situação, um clima que se instalará no ambiente familiar, já que os pais sabem da existência da doença e seu comportamento falará de alguma forma que algo está errado. Sendo assim, não revelar o que está acontecendo à criança, não impede que esta sofra e pode até ser pior, pois ao saber que algo não vai bem e ao mesmo tempo não saber o que se passa, faz com que a criança imagine e fantasie inúmeras situações, que podem até mesmo ser piores que a situação real.
Após o impacto do diagnóstico, a criança deve lidar com a incerteza em relação ao futuro. A sensação de perda de controle também é outra questão com a qual a criança terá que lidar tendo em vista que ela passará a depender dos outros para muitas tarefas que antes realizava sozinha, perderá sua privacidade, terá que se submeter a normas e tratamentos impostos pela equipe cuidadora, terá suas atividades limitadas e a superproteção de seus pais

Quais os principais tratamentos?
No tratamento pode ser usado a quimioterapia (o câncer infantil é mais sensível à quimioterapia), radioterapia, cirurgia e o transplante de medula óssea (usado em alguns casos de leucemia, linfomas e tumores sólidos). A criança reage melhor ao tratamento e apresenta menos efeitos colaterais.
O progresso no desenvolvimento do tratamento do câncer na infância foi espetacular nas últimas quatro décadas. Atualmente, 70% das crianças acometidas de câncer podem ser curadas, se diagnosticadas precocemente e tratadas em centros especializados. A maioria dessas crianças terá vida praticamente normal.
O tratamento do câncer infantil é uma abordagem muito especializada, assim como o cuidado e o acompanhamento pós-tratamento. Qualquer problema precocemente identificado pode ser tratado de forma eficaz.
Os pacientes que tiveram câncer infantil têm um grau aumentado de risco para vários possíveis efeitos tardios do tratamento. Este risco depende de uma série de fatores, como tipo de tumor, tratamentos recebidos, dose terapêutica recebida, bem como a idade na época do tratamento. Os efeitos tardios do tratamento podem incluir:

      Problemas cardíacos ou pulmonares.
      Problemas no desenvolvimento dos ossos.
      Alterações no desenvolvimento sexual e fertilidade.
      Problemas de aprendizagem.
      Desenvolvimento de um segundo câncer mais tarde.
      É muito importante discutir as possíveis complicações a longo prazo do seu filho com a equipe médica, para se certificar de como identificar os possíveis problemas e, se necessário como tratá-los.

O pós-tratamento
Viver uma vida normal durante o tratamento e depois da alta, implica na reinserção do paciente em seu meio social e no seu retorno ao ambiente escolar. Infelizmente, a volta à escola apresenta uma série de desconfortos para o paciente.
Esse retorno é estressante para as crianças com câncer por envolver aspectos emocionais e questões relativas à aceitação social. Antes do trabalho informativo a falta de esclarecimento sobre o câncer propiciou o estabelecimento do mistério em torno da aparência física das crianças doentes na escola, configurando um clima hostil e agressivo para elas. Essas dificuldades vão desde o preconceito quanto á doença em si e medo irracional de contágio por parte dos colegas, até a maneira com que o professor pode tratar um paciente ou ex-paciente de câncer infantil dentro e fora da sala de aula.
As faixas etárias pediátricas mais precoces (até 4 anos) são as mais propensas ao desenvolvimento de câncer, com exceção de linfomas, carcinomas e tumores ósseos, que predominam em crianças entre 10 e 14 anos. As estatísticas da AACC de 2001 a 2007 mostram que 40% dos pacientes atendidos está na faixa de 06 a 15 anos e, portanto, em idade escolar.

Cuidados a serem tomados
Cuide do emocional da criança e de toda família.
O tratamento também precisa do acompanhamento de psicólogos.
Jamais trate as crianças como se fossem dependentes ou inferiores pois elas precisam de carinho, cuidados e incentivo.
Procure grupos de apoio e conversar com pessoas que estejam na mesma situação. Isso faz bem para familiares e pacientes.
É muito bom para a criança ter amigos e conviver com pessoas da idade dela.
Siga corretamente a receita e as orientações médicas. Não interrompa nenhuma medicação sem falar antes com o médico.
Tire todas as suas dúvidas com a equipe médica.
Lembre-se que o tratamento continua em casa.
Crianças que fazem quimioterapia não devem receber vacinassem a orientação médica, nem as das campanhas nacionais.




Fonte de pesquisa: Pepsic, AACC, Instituto do Câncer Infantil de RS e Oncoguia

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