Quando o portador de câncer é
uma criança, não há como não falar da família, pois os danos causados pela
doença também afetam seus familiares de uma forma muito intensa e estes têm
papel fundamental no tratamento e recuperação do paciente.
A descoberta do câncer traz o
medo da dor, do sofrimento, da mutilação e a insegurança em relação ao futuro
devido ao risco de morte. A criança e seus familiares têm todos estes medos
compartilhados e suas vidas e rotinas transformadas com a descoberta da doença.
Cada criança e cada família irão reagir de formas diferentes, tudo dependerá,
entre outros fatores, não só do estágio em que a doença se encontra como da
personalidade de cada um dos sujeitos envolvidos, mas em todos os casos,
recursos internos sempre serão utilizados para o melhor enfrentamento de uma
situação tão difícil que é ter um câncer ou ter um filho com este diagnóstico.
Além disso, é de suma
importância que todos os profissionais de saúde conheçam todos os aspectos que
envolvem esta enfermidade (além dos aspectos biológicos) para que a relação com
o paciente e sua família seja mais completa e principalmente humana, já que
além de um diagnóstico, um tratamento e um prognóstico, também há uma história
de vida e uma variedade de sentimentos envolvidos no mesmo contexto.
O que é câncer infantil?
O câncer é uma doença
genética caracterizada pela divisão e proliferação desordenada de células que
sofreram mutação em seu material genético. Ele ocorre em qualquer parte do
organismo e é o acúmulo das células dá origem aos tumores. Os tumores são
caracterizados pelo agrupamento de células anormais, que uma vez formadas serão
destruídas pelo organismo, permanecerão como tumores benignos ou se
transformarão em tumores malignos. Tudo dependerá do sistema imunológico do
indivíduo, que será influenciado por diversos fatores de risco.
O câncer infantil corresponde
a um grupo de várias doenças que têm em comum a proliferação descontrolada de
células anormais e que pode ocorrer em qualquer local do organismo. As
neoplasias mais frequentes na infância são as leucemias (glóbulos brancos),
tumores do sistema nervoso central e linfomas (sistema linfático). Também
acometem crianças o neuroblastoma (tumor de gânglios simpáticos), tumor de
Wilms (tumor renal), retinoblastoma (tumor da retina do olho), tumor
germinativo (tumor das células que vão dar origem às gônadas), osteossarcoma
(tumor ósseo), sarcomas (tumores de partes moles).
Diferentemente do
câncer de adulto, o câncer da criança geralmente afeta as células do sistema
sanguíneo e os tecidos de sustentação, enquanto que o do adulto afeta as
células do epitélio, que recobre os diferentes órgãos (câncer de mama, câncer
de pulmão).
No adulto, em muitas
situações, o surgimento do câncer está associado claramente aos fatores ambientais
como, por exemplo, fumo e câncer de pulmão. Nas malignidades da infância não se
observa claramente essa associação. O câncer pode ser causado por fatores
externos (substâncias químicas, irradiação e vírus) e internos (hormônios,
condições imunológicas e mutações genéticas). Logo, prevenção é um desafio para
o futuro. A ênfase atual deve ser dada ao diagnóstico precoce.
Sintomas e diagnóstico
É difícil reconhecer
imediatamente o câncer em crianças, uma vez que os sintomas podem sobrepor-se
às doenças e ferimentos comuns da infância. As crianças muitas vezes ficam
doentes ou têm hematomas que podem mascarar os sinais precoces do câncer. Os
pais devem levar seus filhos a consultas clínicas regulares e estarem atentos a
qualquer sinal ou sintoma incomum que persista. Estes sintomas mais comuns
incluem:
Nódulo ou inchaço incomum.
Palidez inexplicada e perda
de energia.
Repetidas contusões.
Dor progressiva.
Andar mancando.
Febre inexplicada ou doença
que não passa.
Dores de cabeça frequentes,
muitas vezes com vômitos.
Alterações súbitas de visão.
Perda de peso súbita e
inexplicada.
A maioria destes sintomas é
muito mais propensa de serem causados por outras razões, como uma lesão ou
infecção. Ainda assim, se o seu filho tem algum destes sintomas, consulte seu médico
para que a causa possa ser detectada e, se necessário, iniciado o tratamento.
Algumas crianças podem ter
uma chance maior de desenvolver um tipo específico de câncer em função de
alterações em certos genes herdados de um dos pais. Essas crianças devem ter
acompanhamento médico regular, incluindo a realização de exames especiais para
detectar sinais precoces da doença.
A criança com câncer
A doença é um evento
inesperado e indesejável e o câncer, dependendo do tipo e da precocidade do
diagnóstico, pode causar sequelas físicas e psíquicas que serão marcantes para
a criança. Além disso, ela tem sua rotina completamente alterada e todos os
hábitos comuns próprios da infância tornam-se algo distante para ela devido às
limitações que a doença e o tratamento impõem.
A reação da criança
em relação ao diagnóstico dependerá da reação de seus pais.
Quando uma criança
é diagnosticada com câncer, são os pais os primeiros a necessitarem de ajuda,
pois visto que a criança desconhece a doença, são eles quem vão transmitir ao filho
todos os sentimentos provocados pela descoberta do diagnóstico, e quando a família está bem orientada, os
efeitos da doença são menos prejudiciais, pois os pais saberão manejar a
situação da melhor maneira possível, para que ela não seja tão sofrida para a
criança. Para o autor, a criança somente se depara realmente com a doença, no
momento em que ela começa a sofrer os efeitos do tratamento, pois ela passa a
ter sua vida limitada, não podendo realizar as atividades que costumava
anteriormente.
Ainda que a criança não tenha
sido informada do diagnóstico ela também reagirá, não ao diagnóstico, mas a uma
situação, um clima que se instalará no ambiente familiar, já que os pais sabem
da existência da doença e seu comportamento falará de alguma forma que algo
está errado. Sendo assim, não revelar o que está acontecendo à criança, não
impede que esta sofra e pode até ser pior, pois ao saber que algo não vai bem e
ao mesmo tempo não saber o que se passa, faz com que a criança imagine e
fantasie inúmeras situações, que podem até mesmo ser piores que a situação
real.
Após o impacto do
diagnóstico, a criança deve lidar com a incerteza em relação ao futuro. A
sensação de perda de controle também é outra questão com a qual a criança terá
que lidar tendo em vista que ela passará a depender dos outros para muitas
tarefas que antes realizava sozinha, perderá sua privacidade, terá que se
submeter a normas e tratamentos impostos pela equipe cuidadora, terá suas
atividades limitadas e a superproteção de seus pais
Quais os principais tratamentos?
No tratamento pode ser usado
a quimioterapia (o câncer infantil é mais sensível à quimioterapia),
radioterapia, cirurgia e o transplante de medula óssea (usado em alguns casos
de leucemia, linfomas e tumores sólidos). A criança reage melhor ao tratamento
e apresenta menos efeitos colaterais.
O progresso no
desenvolvimento do tratamento do câncer na infância foi espetacular nas últimas
quatro décadas. Atualmente, 70% das crianças acometidas
de câncer podem ser curadas, se diagnosticadas precocemente e tratadas em
centros especializados. A maioria dessas crianças terá vida praticamente
normal.
O tratamento do câncer
infantil é uma abordagem muito especializada, assim como o cuidado e o
acompanhamento pós-tratamento. Qualquer problema precocemente identificado pode
ser tratado de forma eficaz.
Os pacientes que tiveram
câncer infantil têm um grau aumentado de risco para vários possíveis efeitos
tardios do tratamento. Este risco depende de uma série de fatores, como tipo de
tumor, tratamentos recebidos, dose terapêutica recebida, bem como a idade na
época do tratamento. Os efeitos tardios do tratamento podem incluir:
•
Problemas
cardíacos ou pulmonares.
•
Problemas
no desenvolvimento dos ossos.
•
Alterações
no desenvolvimento sexual e fertilidade.
•
Problemas
de aprendizagem.
•
Desenvolvimento
de um segundo câncer mais tarde.
•
É muito
importante discutir as possíveis complicações a longo prazo do seu filho com a
equipe médica, para se certificar de como identificar os possíveis problemas e,
se necessário como tratá-los.
O pós-tratamento
Viver uma vida normal durante
o tratamento e depois da alta, implica na reinserção do paciente em seu meio
social e no seu retorno ao ambiente escolar. Infelizmente, a volta à escola
apresenta uma série de desconfortos para o paciente.
Esse retorno é estressante
para as crianças com câncer por envolver aspectos emocionais e questões
relativas à aceitação social. Antes do trabalho informativo a falta de
esclarecimento sobre o câncer propiciou o estabelecimento do mistério em torno
da aparência física das crianças doentes na escola, configurando um clima
hostil e agressivo para elas. Essas dificuldades vão desde o preconceito quanto
á doença em si e medo irracional de contágio por parte dos colegas, até a
maneira com que o professor pode tratar um paciente ou ex-paciente de câncer
infantil dentro e fora da sala de aula.
As faixas etárias pediátricas
mais precoces (até 4 anos) são as mais propensas ao desenvolvimento de câncer,
com exceção de linfomas, carcinomas e tumores ósseos, que predominam em
crianças entre 10 e 14 anos. As estatísticas da AACC de 2001 a 2007 mostram que
40% dos pacientes atendidos está na faixa de 06 a 15 anos e, portanto, em idade
escolar.
Cuidados a serem tomados
Cuide do emocional da criança
e de toda família.
O tratamento também precisa
do acompanhamento de psicólogos.
Jamais trate as crianças como
se fossem dependentes ou inferiores pois elas precisam de carinho, cuidados e
incentivo.
Procure grupos de apoio e
conversar com pessoas que estejam na mesma situação. Isso faz bem para
familiares e pacientes.
É muito bom para a criança
ter amigos e conviver com pessoas da idade dela.
Siga corretamente a receita e
as orientações médicas. Não interrompa nenhuma medicação sem falar antes com o
médico.
Tire todas as suas dúvidas
com a equipe médica.
Lembre-se que o tratamento
continua em casa.
Crianças que fazem
quimioterapia não devem receber vacinassem a orientação médica, nem as das
campanhas nacionais.
Fonte de pesquisa: Pepsic, AACC, Instituto do
Câncer Infantil de RS e Oncoguia


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