Especialista explica porque bebês e crianças não devem ser sacudidas
Eles são fofinhos, cheirosos, com dobrinhas e
irresistíveis. Os bebês, quando nascem, geram uma onda de alegria na casa.
Pais, avós, titios e irmãozinhos ficam encantados com o poder que aqueles
pequenos seres têm. O problema é que para expressar o tamanho do amor os
adultos abusam dos pequeninhos. Apertos incessantes, abraços acompanhado de mordidinhas, sem contar com as
famosas sacudidas e arremessos, são as formas encontradas para chamar a atenção
dos bebês. O problema, e que muitos não sabem, são as consequências desses
atos. Conhecida como Síndrome do Bebê Sacudido (SBS), os mais antigos
diziam que a criança estava com o “vento virado”, é uma grave lesão
cerebral, provocada pelo ricochete do cérebro do bebê dentro do crânio quando a
criança é sacudida.
Descoberta em 1972, pelo radiologista americano J.
Caffey, a Síndrome do Bebê Sacudido está relacionada diretamente aos maus
tratos com crianças pequenas de 0
a 5 anos. Naquela época, cerca de 1,5 milhão de crianças
foram diagnosticadas com as lesões. No Brasil, de acordo com a fisioterapeuta
da Secretária Executiva de Saúde do Pará, Brenda Siqueira não é possível ter
esses dados, visto que, nem sempre os casos são diagnosticados dessa forma,
pois muitos casos são registrados apenas como "maus tratos" ou "abuso
infantil".
Para diagnosticar a Síndrome, os
sintomas mais comuns nas crianças são irritabilidade extrema, vômito, inchaço e
hematomas ao redor dos olhos, pele pálida ou azulada, sonolência excessiva,
inconsciência e olhar parado. Aos pais cabem a observação
e também os cuidados no dia a dia. “A violência contra o bebê ou criança
normalmente acontece por parte dos pais, parentes ou cuidadores (babás),”
ressalta a fisioterapeuta.
Caso sua criança esteja com sintomas parecidos o
aconselhável é procurar um pediatra para observar os sinais. “É difícil falar
quais profissionais podem diagnosticar a síndrome. Normalmente, como o pediatra
é o médico que está mais em contato com a criança, ele é quem deve analisar o
quadro clínico, assim como exames por imagem e associar com a história
clínica. Nem sempre existe evidências da agressão, mas isso não significa que a
criança esteja livre, pois para diagnosticar as hemorragias retiniana e
subdural são necessários exames mais profundos” conta.
Lesões - Entre o cérebro e crânio
existe um espaço livre destinado ao crescimento e desenvolvimento; os músculos
do pescoço do bebê ainda não estão desenvolvidos. Quando se sacode um bebê ou
uma criança pequena, o cérebro ricocheteia contra o crânio, provocando contusão,
inchaço, pressão e sangramento (hemorragia intracerebral). Isso pode resultar
em dano cerebral grave e permanente, ou mesmo em morte. O ato de sacudir
um bebê ou criança pequena também pode provocar lesões no pescoço e na coluna
vertebral. As hemorragias da retina podem resultar em perda da visão.
Embora o termo
“bebê sacudido” seja atribuído a violência sofrida pela criança, a
fisioterapeuta Brenda afirma que pode acontecer em outras situações, como
brincadeiras normais da infância e, inclusive por barulho excessivo e exposição
a vibrações.
Tratamentos
- O tratamento depende do quadro clínico da criança. Quadros hemorrágicos
podem ser tratados clinica ou cirurgicamente. Outras sequelas, como cegueira e
retardo mental, requerem tratamento de equipe multidisciplinar. Para denunciar
crianças que estejam sofrendo da Síndrome a fisioterapeuta indica à Promotoria
de Justiça da Vara da Infância e Juventude e o Conselho Tutelar.

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