quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Cuidado com a forma de carregar seu bebê


Especialista explica porque bebês e crianças não devem ser sacudidas


Eles são fofinhos, cheirosos, com dobrinhas e irresistíveis. Os bebês, quando nascem, geram uma onda de alegria na casa. Pais, avós, titios e irmãozinhos ficam encantados com o poder que aqueles pequenos seres têm. O problema é que para expressar o tamanho do amor os adultos abusam dos pequeninhos. Apertos incessantes, abraços  acompanhado de mordidinhas, sem contar com as famosas sacudidas e arremessos, são as formas encontradas para chamar a atenção dos bebês. O problema, e que muitos não sabem, são as consequências desses atos. Conhecida como Síndrome do Bebê Sacudido (SBS), os mais antigos diziam que a criança estava com o “vento virado”, é uma grave lesão cerebral, provocada pelo ricochete do cérebro do bebê dentro do crânio quando a criança é sacudida.

Descoberta em 1972, pelo radiologista americano J. Caffey, a Síndrome do Bebê Sacudido está relacionada diretamente aos maus tratos com crianças pequenas de 0 a 5 anos. Naquela época, cerca de 1,5 milhão de crianças foram diagnosticadas com as lesões. No Brasil, de acordo com a fisioterapeuta da Secretária Executiva de Saúde do Pará, Brenda Siqueira não é possível ter esses dados, visto que, nem sempre os casos são diagnosticados dessa forma, pois muitos casos são registrados apenas como "maus tratos" ou "abuso infantil".

Para diagnosticar a Síndrome, os sintomas mais comuns nas crianças são irritabilidade extrema, vômito, inchaço e hematomas ao redor dos olhos, pele pálida ou azulada, sonolência excessiva, inconsciência e olhar parado. Aos pais cabem a observação e também os cuidados no dia a dia. “A violência contra o bebê ou criança normalmente acontece por parte dos pais, parentes ou cuidadores (babás),” ressalta a fisioterapeuta.

Caso sua criança esteja com sintomas parecidos o aconselhável é procurar um pediatra para observar os sinais. “É difícil falar quais profissionais podem diagnosticar a síndrome. Normalmente, como o pediatra é o médico que está mais em contato com a criança, ele é quem deve analisar o quadro clínico, assim como exames por  imagem e associar com a história clínica. Nem sempre existe evidências da agressão, mas isso não significa que a criança esteja livre, pois para diagnosticar as hemorragias retiniana e subdural são necessários exames mais profundos” conta.

Lesões - Entre o cérebro e crânio existe um espaço livre destinado ao crescimento e desenvolvimento; os músculos do pescoço do bebê ainda não estão desenvolvidos. Quando se sacode um bebê ou uma criança pequena, o cérebro ricocheteia contra o crânio, provocando contusão, inchaço, pressão e sangramento (hemorragia intracerebral). Isso pode resultar em dano cerebral grave e permanente, ou mesmo em morte. O ato de sacudir um bebê ou criança pequena também pode provocar lesões no pescoço e na coluna vertebral. As hemorragias da retina podem resultar em perda da visão.

Embora o termo “bebê sacudido” seja atribuído a violência sofrida pela criança, a fisioterapeuta Brenda afirma que pode acontecer em outras situações, como brincadeiras normais da infância e, inclusive por barulho excessivo e exposição a vibrações.
Tratamentos - O tratamento depende do quadro clínico da criança. Quadros hemorrágicos podem ser tratados clinica ou cirurgicamente. Outras sequelas, como cegueira e retardo mental, requerem tratamento de equipe multidisciplinar. Para denunciar crianças que estejam sofrendo da Síndrome a fisioterapeuta indica à Promotoria de Justiça da Vara da Infância e Juventude e o Conselho Tutelar.




Nenhum comentário:

Postar um comentário