A
agressividade infantil - Bullying
Em todo o mundo, as escolas e
pais andam muito angustiados com essa questão do Bullying e a agressividade
infantil. A Dra Karen
Kaufmann Sacchetto Pedagoga e Especialista em Distúrbios de Aprendizagem Mestranda em
Distúrbios do Desenvolvimento discorre brilhantemente sobre este tema.
A
agressividade infantil é um assunto bastante amplo e podemos notar suas raízes
desde o início das relações das crianças ainda na educação infantil. Precisamos
inicialmente, discernir o que é inerente a determinada faixa etária ou sexo e o
que está fora dos padrões esperados pelos mesmos.
Na educação
infantil, passamos basicamente por duas delas: Uma que vai do nascimento
aos dois anos de idade. Nesta fase a criança se utiliza basicamente dos
sentidos para conhecer o mundo. Tudo aqui acontece por reflexos e a criança
leva tudo à boca; A outra fase que
vai dos 2 aos 7 anos onde a criança começa a adquirir noções de tempo, espaço.
Ainda não há raciocínio lógico e as ações para ela ainda são irreversíveis.
Uma criança
que morde o amiguinho até dois anos de idade, não pode ser rotulada como
agressiva. Ela ainda não sabe usar a linguagem verbal e a linguagem corporal
acaba sendo mais eficiente. A intenção da criança, ao morder ou empurrar, é
obter o mais rápido possível aquele objeto de desejo, já que não consegue
verbalizar com fluência. Esta fase de disputa é natural e quanto menos
ansiedade for gerada, mais rápida e tranqüilamente será transposta. É claro que
o adulto não deve apenas assumir a postura de observador e sim, interferir
quando necessário, evitando que se machuquem, e explicando que a atitude não é
correta. Enfim, impondo limites!
É
essencial saber discernir quando um comportamento agressivo é passageiro, ou se
pode ser considerado como um transtorno de conduta, caso em que é necessário um
acompanhamento de especialista para auxiliar a sanar o problema. Se não dermos
a devida importância nesta fase essas atitudes poderão evoluir de forma
prejudicial na adolescência e vida adulta, podendo transformar a criança em
agente ou alvo de Bullying (tipo de
comportamento que sempre existiu, e que recentemente foi batizado com um nome.
Não existe uma tradução precisa para o português. Refere-se a todo tipo de
comportamento agressivo que ocorre sem nenhuma razão aparente).
Muitas
crianças recebem apelidos relacionados a aspectos físicos e desempenho
(gordinho, vara pau, zarolho, burro, chato, etc). Aqui o papel do professor é
essencial ao identificar e trabalhar com esses aspectos evitando que se
repitam. A dramatização é uma ferramenta excepcional para fazer com que as
crianças vivenciem papéis. Essencial ainda é discutir sempre as experiências
depois de dramatizadas. Criar regras elaboradas em conjunto também é uma
ferramenta eficiente. Quando as próprias crianças criam as regras elas ganham
um significado maior e têm um grande impacto nas ações. Deve-se também
trabalhar valores morais éticos como solidariedade, compartilhamento,
cooperação, amizade, reciprocidade dentre outros. Se o professor cria um
ambiente com atividades prazerosas durante todo o período de aula, a
probabilidade de que comportamentos agressivos surjam é muito menor.
Lembre-se: a
agressividade só deve ser tratada como um desvio de conduta quando ela aparecer
por um longo período de tempo e também se não estiverem ocorrendo fatos
transitórios que possam estar causando os comportamentos agressivos. A
personalidade da criança forma-se até os seis anos de idade e por isso, toda
experiência e sua qualidade vividas nessa fase é de fundamental importância.
Por mais que, às vezes, possa parecer ineficaz, elogio, afeto, prazer e
compreensão tem resultados muito mais rápidos e menos estressantes do que
bronca, castigo, sofrimento e indiferença.
É muito
importante detectar e combater o comportamento agressivo ainda na primeira
infância, pois quando criança não encontra obstáculos ou alguém que a alerte
mostrando que não é um comportamento adequado, ela percebe que consegue liderar
e tirar proveito destas situações e no futuro certamente tornar-se-á um agente
do bullying e muito provavelmente um adulto violento.
O que as
escolas podem fazer: Nas escolas de educação infantil e ensino
fundamental, os professores e supervisores podem e devem ficar atentos nas
atividades em parques e intervalos assegurando-se de que nenhuma criança está
sendo excluída ou humilhada. A direção da escola pode e deve chamar a atenção
de alunos que estejam praticando algum ato ofensivo ou preconceituoso e alertar
também seus pais.
Para tentarmos resolver este
preocupante problema é necessário um trabalho em conjunto – Família, aluno,
escola e comunidade.
Antônio Roberto

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