terça-feira, 10 de junho de 2014

Deve - se ou não recompensar as crianças ?



Deve - se ou não recompensar as crianças ?


Quando o assunto é comportamento os pais geralmente começam a pensar em formas de educar a criança de modo que ela se comporte e seja obediente. Crescer num ambiente sempre positivo é mais agradável e feliz, e recompensar é mais eficaz e fácil do que punir.
Mas o que seria essa recompensa?
Não é porque crianças são pequenas que não devem ter deveres a serem cumpridos. É importante que aprendam isso desde cedo a fim de desenvolverem a noção de responsabilidade e organização.
Se, por exemplo, a criança guardou os brinquedos na caixa depois de brincar, um elogio como “Muito bem, parabéns!” seguido de palmas pode ser suficiente como forma de recompensa, mas, às vezes, a criança precisa de um incentivo extra para ser estimulada a continuar cumprindo com seus deveres ou parar de se comportar mal, brigando com irmãos, mantendo a rotina de horário para dormir ou comer, arrumar seu quarto, ir ao banheiro e etc.

Já na escola e nas atividades relacionadas a ela, talvez essa forma de recompensa seja motivo de preocupação, pois os filhos recebem agrados ou presentes por cumprir tarefas de rotina e que deveriam ser feitas sem esse tipo de prática. Essa conduta pode ser prejudicial na formação da criança, pois pode transformá-la em indivíduo mal acostumado, pode  despertar a competitividade, fazendo com que a criança se esforce, ou não, para atingir metas e objetivos a fim de conseguir algo, passando assim a enxergar todos como adversários, e ainda pode aprender a ser ótimo manipulador. No fundo a criança sabe que mesmo que alguma atividade seja seu dever, só faz visando algum tipo de premiação que não deveria existir, afinal, obrigação é obrigação. O que seria se todo dever de casa feito, ou toda prova em que a nota foi muito boa resultasse em alguma recompensa? E se o brinquedo deixasse de ser prêmio pelo feito? Os deveres ficariam de lado e as provas seriam todas zeradas?

É importante frisar que a recompensa não deve ser uma forma de negociação com a criança, mas sim um prêmio por ter se comportado de forma desejável quando necessário, e nem que esses prêmios podem ser objetos ou comida ou o que a criança quiser para evitar que haja associação de que sempre que fizer algo do agrado dos pais, ganhará alguma coisa material. Quem está no controle são os pais, que devem dar opções que se adequam ao gosto pessoal da criança, como um passeio, jogar videogame, chamar um amigo para brincar em casa, ir à sorveteria e afins para que eles não fiquem dependentes do próprio filho que se for recompensado de forma errada usará do mau comportamento para ganhar o que lhe convém. Já as atividades e passeios em família como recompensa, são uma maneira de a criança ganhar algo pelo bom trabalho e unir a família em atividades sociais.
Porém, se a criança não se comportar, é válido puni-la para que aprenda que se fizer algo errado poderá perder o que gosta como ficar sem um brinquedo, ficar sem jogar seu jogo preferido ou ficar em casa em vez de passear. Mas antes de tudo, é necessário esclarecer o que seria considerado errado e o motivo para que entenda a punição caso desobedeça ou se comporte mal, e da mesma forma, esclarecer o que é certo para que possa esperar que bons comportamentos podem ser recompensados com atividades do interesse dele e que beneficie toda a família.
Mais importante do que recompensar, é ajudar a criança a desenvolver sua consciência e o senso do que é certo e o que é errado, fazendo com que a ela aprenda com o passar do tempo a cuidar de si tornando-a mais independente, aprendendo, ou tendo algo a oferecer, sobre uma boa convivência com o próximo.

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