segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Deus te abençoe, meu filho!


Deus te abençoe, meu filho!


Até há pouco tempo era muito comum o hábito da bênção na relação entre pais e filhos.  Sair de casa sem receber a bênção deixava o dia com a sensação de que algo estava faltando. Em sintonia com este costume observamos o profundo respeito nutrido pelos jovens em relação à hierarquia familiar.
Infelizmente, caiu em desuso esse hábito. Há quem diga que está fora de moda criar seus filhos inserindo-os no costume de pedir bênção. Afirmamos, contudo, que algumas questões são atemporais, como é o caso da bênção.
Hoje, a escassez do tempo é colocada como impeditivo para dedicarmos à construção de uma relação de afeto sólida no lar.  E numa tentativa ilusória de suprir essa falta de dedicação vamos utilizando subterfúgios materiais imediatistas para construirmos uma paz no lar, que, no entanto, é superficial.  Para o passatempo infantil, contamos com um arsenal tecnológico: brinquedos em excesso com muitos recursos interativos, internet à vontade, filmes e desenhos animados, jogos online, tablets e telefones celulares. As atividades infantis, quando bem orientadas, são valiosos recursos para o desenvolvimento intelectual e grandes oportunidades de despertamento moral. Entretanto, muitas vezes o que estamos fazendo é favorecer o materialismo e o individualismo em nossos filhos quando os deixamos à mercê desses recursos isentando-nos da orientação necessária.
Em virtude de um modismo temporal a relação entre pais e filhos tem se estruturado nas areias movediças de ideias isentas de consistência moral.
 Em consequência disso, observamos crianças e jovens inseguros, agitados, instáveis emocionalmente buscando, em vão, recursos fantasiosos para se reestruturarem.
Coloquemos mais afeto em nossas relações dando a nossos filhos tudo o que eles precisam para se desenvolverem moralmente. Reflitamos na atuação de Deus em nossas vidas que nos oferece as circunstâncias necessárias ao nosso amadurecimento e, ainda que mergulhados em ilusões materiais,  Ele sempre nos oferece os recursos para escolhermos o caminho que nos levará à verdadeira felicidade. E nós pais somos uns desses recursos utilizados pela sabedoria divina, para guiar, desde pequenos, os filhos no caminho do amor.
Para isso, faz-se necessário preparo. Os pais são os primeiros professores dos seus filhos. E, na escola da vida, os pais tem que estar atentos à essa missão que recebem de Deus quanto ao desenvolvimento espiritual dos filhos. A cada momento, crianças e jovens passam por fases diferentes com exigências específicas. É preciso desenvolver esse entendimento para que a interação com eles se faça de forma mais harmoniosa e profunda. Compreendamos, todavia, que qualquer que seja a fase, nos é exigido amor, compreensão, paciência e dedicação. Busquemos o preparo necessário, fortalecendo, em nossa intimidade, o reino de Deus, o sentimento do amor.

Quando trazemos para a reflexão o tema “dar a bênção” estamos contemplando esse sentimento de amor. Quando os pais desejam aos seus filhos que Deus os abençoe e igualmente os abençoa, estão, em verdade, rogando ao Pai celestial proteção aos seus filhos, que Ele os envolva com seu amor, que os ilumine, os proteja, os conforte a cada dia mostrando, com toda ternura, como tornarem-se homens de bem.
E esse simbolismo de dar as bênçãos aos filhos representa a missão que tem os pais de oferecer as ferramentas morais necessárias para o amadurecimento daqueles que nos foram entregues, em confiança, por Deus. E a partir do momento que reassumirmos, com propriedade, esse papel moral que nos cabe, naturalmente o respeito dos nossos filhos por nós se intensificará inserido nesse recomeço que a proposta oferece.
Se cada um de nós fizermos com dedicação nossa parte contribuindo, em casa, para a formação moral  de nossos filhos, estaremos contribuindo efetivamente para a construção de uma sociedade que receberá, a cada geração, mais indivíduos preparados para amar tanto no convívio social como na construção de uma nova família. Assim formaremos um ciclo de amor que se expandirá até não dar mais espaço a qualquer outro sentimento contrário à vibração divina.
Provavelmente isso irá exigir anos, décadas, séculos, milênios!!! Mas certamente é uma semente que frutificará, pois, caminhando com Jesus, desenvolveremos em nosso campo íntimo o terreno propício para que tal semeadura aconteça dando frutos sazonados de respeito, de amizade, de companheirismo, de união, de solidariedade.
Que Jesus continue nos abençoando sempre para que, abraçando a missão a nós confiada pelo Pai, possamos seguir abençoando àqueles que nos foram confiados.



Por Caroline Araújo / Fonoaudióloga/ Mestre em neurociências/ evangelizadora infantil

  




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