Deus te abençoe, meu
filho!
Até há pouco tempo era muito comum o hábito da bênção na relação
entre pais e filhos. Sair de casa sem
receber a bênção deixava o dia com a sensação de que algo estava faltando. Em
sintonia com este costume observamos o profundo respeito nutrido pelos jovens em
relação à hierarquia familiar.
Infelizmente, caiu em desuso esse hábito. Há quem diga que
está fora de moda criar seus filhos inserindo-os no costume de pedir bênção.
Afirmamos, contudo, que algumas questões são atemporais, como é o caso da
bênção.
Hoje, a escassez do tempo é colocada como impeditivo para
dedicarmos à construção de uma relação de afeto sólida no lar. E numa tentativa ilusória de suprir essa falta
de dedicação vamos utilizando subterfúgios materiais imediatistas para
construirmos uma paz no lar, que, no entanto, é superficial. Para o passatempo infantil, contamos com um
arsenal tecnológico: brinquedos em excesso com muitos recursos interativos,
internet à vontade, filmes e desenhos animados, jogos online, tablets e
telefones celulares. As atividades infantis, quando bem orientadas, são
valiosos recursos para o desenvolvimento intelectual e grandes oportunidades de
despertamento moral. Entretanto, muitas vezes o que estamos fazendo é favorecer
o materialismo e o individualismo em nossos filhos quando os deixamos à mercê
desses recursos isentando-nos da orientação necessária.
Em virtude de um modismo temporal a relação entre pais e
filhos tem se estruturado nas areias movediças de ideias isentas de consistência
moral.
Em consequência
disso, observamos crianças e jovens inseguros, agitados, instáveis
emocionalmente buscando, em vão, recursos fantasiosos para se reestruturarem.
Coloquemos mais afeto em nossas relações dando a nossos
filhos tudo o que eles precisam para se desenvolverem moralmente. Reflitamos na
atuação de Deus em nossas vidas que nos oferece as circunstâncias necessárias
ao nosso amadurecimento e, ainda que mergulhados em ilusões materiais, Ele sempre nos oferece os recursos para
escolhermos o caminho que nos levará à verdadeira felicidade. E nós pais somos
uns desses recursos utilizados pela sabedoria divina, para guiar, desde
pequenos, os filhos no caminho do amor.
Para isso, faz-se necessário preparo.
Os pais são os primeiros professores dos seus filhos. E, na escola da
vida, os pais tem que estar atentos à essa missão que recebem de Deus quanto ao
desenvolvimento espiritual dos filhos. A cada momento, crianças e jovens passam
por fases diferentes com exigências específicas. É preciso desenvolver esse
entendimento para que a interação com eles se faça de forma mais harmoniosa e
profunda. Compreendamos, todavia, que qualquer que seja a fase, nos é exigido
amor, compreensão, paciência e dedicação. Busquemos o preparo necessário,
fortalecendo, em nossa intimidade, o reino de Deus, o sentimento do amor.
Quando trazemos para a reflexão o tema “dar a bênção” estamos
contemplando esse sentimento de amor. Quando os pais
desejam aos seus filhos que Deus os abençoe e igualmente os abençoa, estão, em
verdade, rogando ao Pai celestial proteção aos seus filhos, que Ele os envolva
com seu amor, que os ilumine, os proteja, os conforte a cada dia mostrando, com
toda ternura, como tornarem-se homens de bem.
E esse simbolismo de dar as bênçãos aos filhos representa a
missão que tem os pais de oferecer as ferramentas morais necessárias para o
amadurecimento daqueles que nos foram entregues, em confiança, por Deus. E a
partir do momento que reassumirmos, com propriedade, esse papel moral que nos
cabe, naturalmente o respeito dos nossos filhos por nós se intensificará inserido
nesse recomeço que a proposta oferece.
Se cada um de nós fizermos com dedicação nossa parte
contribuindo, em casa, para a formação moral de nossos filhos, estaremos contribuindo
efetivamente para a construção de uma sociedade que receberá, a cada geração, mais
indivíduos preparados para amar tanto no convívio social como na construção de
uma nova família. Assim formaremos um ciclo de amor que se expandirá até não
dar mais espaço a qualquer outro sentimento contrário à vibração divina.
Provavelmente isso irá exigir anos, décadas, séculos, milênios!!!
Mas certamente é uma semente que frutificará, pois, caminhando com Jesus,
desenvolveremos em nosso campo íntimo o terreno propício para que tal semeadura
aconteça dando frutos sazonados de respeito, de amizade, de companheirismo, de
união, de solidariedade.
Que Jesus continue nos abençoando sempre para que, abraçando
a missão a nós confiada pelo Pai, possamos seguir abençoando àqueles que nos
foram confiados.
Por Caroline Araújo / Fonoaudióloga/ Mestre em neurociências/ evangelizadora infantil

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