HIV ENTRE ADOLESCENTES
A AIDS que tanto assustou e matou a geração
sexualmente ativa nos anos 80 e 90 parece ser coisa do passado. Mas não é. Segundo
pesquisa realizada pelo ministério da saúde os jovens
são os que mais contraem a AIDS nessa
nova geração.
O desejo de
experimentar tudo a sua volta e a crença de que estão imunes aos riscos têm
custado caro aos adolescentes. Segundo o Ministério da Saúde, entre 2006 e 2009
quase 12 mil adolescentes entre 13 e 19 anos contraíram a doença. A média de
novos jovens infectados no País, a cada ano, é de 661, sem falar naqueles que
ainda não sabem. O problema não é exclusivo do Brasil. Estudos de vários países
demonstram a crescente ocorrência de AIDS entre os adolescentes, sendo que as
taxas de novas infecções, atualmente, são maiores entre a população jovem.
Considerando que a maioria dos doentes está na faixa dos 20 anos, conclui-se
que grande parte das infecções aconteceu no período da adolescência, uma vez
que a doença pode ficar por longo tempo assintomático. E também tem Os “herdeiros”, são os bebês nascidos soropositivos.
Eles cresceram. São jovens e adolescentes no início da vida sexual, passíveis
dos mesmos erros dos demais de sua geração: não usar preservativos durante o
sexo e, silenciosamente, espalhar o vírus, que não tem cura e pode ser fatal.
Meninas estão
na liderança.
As meninas são
atualmente uma preocupação à parte para o Ministério da Saúde.
São 10 meninas
infectadas para cada 8 meninos .
A situação envolvendo
adolescentes e pré-adolescentes é tão preocupante que a campanha nacional de
prevenção foi realizada, com foco nos adolescentes. No Carnaval o, alvo foram
as meninas. A incidência entre elas está crescendo de maneira preocupante. Segundo
Santos, coordenador do Programa Estadual de DST/AIDS revela que muitas não usam
preservativo na primeira relação e já se infectam. ''Há casos em que isto
acontece na pré-adolescência, até a AIDS se manifestar, segue infectando outras
pessoas, isso vem aumentando. em todas as classes sociais “
Na porta de uma
escola de Belo Horizonte, os jovens confirmam que têm muito acesso à informação
sobre a AIDS, mas confessam que, quando um relacionamento começa a ficar sério,
o preservativo é deixado de lado. Entre os meninos, quando questionados se usam
a camisinha em todas as relações, eles riem e dizem que “de vez em quando não”. Muitas vezes,
nas classes mais carentes, o contágio vem da desinformação. Entre as mais
abastadas é o excesso de confiança no namorado, na relação. O preservativo é
negociado, quando não deveria. Para o HIV, o preservativo é 100% de proteção,
as classes A e B não acreditam que haja HIV circulando entre eles. Confiam
demais. É um erro.
, As famílias mais ativas,
mais participativas, em que o tema sexo é conversado com mais liberdade, a
consciência é maior. As meninas dizem, na frente das mães, que usam camisinha
sempre, com firmeza. Quando não tem bloqueio na conversa, facilita a boa
conduta dos jovens. Já entre as classes C e D há muito desconhecimento, falhas.
E a geração que já nasceu portadora do HIV, essas
crianças cresceram,
têm entre 16 e 18 anos e estão iniciando sua
vida sexual.
Como jovens, às
vezes usam camisinha, às vezes não. Às vezes contam para o parceiro, às vezes
não. Varia muito, o que é preocupante. Muitas perderam a mãe para a AIDS, são
criadas por outras pessoas, talvez isso prejudique as conversas sobre a vida
sexual, a conscientização diz Yara Lúcia Furtado de Melo, especialista em
patologia cervical e vulvar do Instituto de Ginecologia da Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ).
As meninas têm que ter medo do HIV. É mais fácil
impedir a contaminação da doença do que conviver com o vírus depois. Os meninos
vão ter a primeira relação sexual, a menina é virgem e aí acreditam que está
tudo bem. Pode não estar.
Os Jovens se preocupam mais com gravidez e esquecem-se das
doenças.
Muitas vezes, a
não utilização dos preservativos está relacionada ao abuso de álcool e outras
drogas, os quais favorecem a prática do sexo inseguro. Outras vezes os jovens
não usam o preservativo em "namoros firmes", justificando que seu uso
pode gerar desconfiança em relação à fidelidade do casal. Apesar de que, no
mundo hoje, o uso de preservativo nas relações poderia significar uma prova de
amor e proteção para com o outro. Observa-se também que muitas jovens abrem mão
do preservativo por medo de serem abandonadas ou maltratadas por seus
parceiros. Por outro lado, o fato de estar apaixonado faz com que o jovem crie
uma imagem falsa de segurança, negando os riscos inerentes ao não uso do
preservativo.
Outro fator
importante a ser levado em consideração é o grande apelo erótico emitido pelos
meios de comunicação, freqüentemente direcionado ao adolescente. A televisão
informa e forma opiniões, unificando padrões de comportamento, independente da
tradição cultural, colocando o jovem frente a uma educação sexual informal que
propaga o sexo como algo não planejado e comum, dizendo que "todo mundo
faz sexo, mas ninguém adoece".
Minas Gerais
ocupa a 17° posição no ranking brasileiro de infecção pela AIDS, de acordo com
o Ministério da Saúde. Isso significa que são 13 casos para cada 100 mil
habitantes. Em 1° lugar está o Rio Grande do Sul, com 41,2 casos para cada 100
mil habitantes, e em último está o Acre, com 8,4 casos para cada 100 mil
moradores.
A um projeto de
colocar dispensadores em todos os centros e, assim, permitir que qualquer
pessoa se beneficie independente de onde mora.
Os dispensadores
devem ficar nas salas de espera ou nos corredores. As pessoas que precisarem do
preservativo vão ter apenas que entrar no posto e puxá-lo do dispensador, sem
se identificar ou ter a quantidade restrita. As pessoas, inclusive meninos e
meninas, têm vergonha de entrar no posto e pedir a camisinha. Isso porque às
vezes têm conhecidos ali e eles acham que estão se expondo de alguma forma.
Os jovens
precisam muito mais do que fatos sobre sexo, eles precisam questionar,
desenvolver a capacidade de tomar decisões, comunicá-las aos outros, lidar com
os conflitos e defender as suas opiniões, mesmo que essas sejam contrárias às
opiniões dos outros.
Por fim, o
comportamento do adolescente é muito influenciado pela família, amigos,
professores e principalmente pela mídia. Estes podem desempenhar um papel
fundamental, e devem atuar aumentando a conscientização sobre as práticas que
afetam a saúde do adolescente, como o abuso de drogas e de álcool e a prática
do sexo inseguro. Jovens felizes são jovens conscientes.


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